sábado, setembro 30, 2006

Oi, Tudo bem?

Não, definitivamente eu não gosto da idéia de um homem chegando em mim com o intuito de me cantar. Eu me sinto verdadeiramente desconfortável e de certo modo é um constrangimento tanto para ele quanto para mim... O que posso fazer? Não gosto, ponto. Não sei se isso faz de mim uma pessoa ruim, mas é algo maior do que eu.

Há quem diga que sou radical demais e que isso pode até ser visto como uma forma de preconceito. Algumas amigas me dizem que eu deveria encarar com bom humor, como um verdadeiro elogio, receber um flerte de um homem bonito. Eu sinceramente não consigo.

Não importa se o homem é bonito, forte, bem apanhado. Não importa se ele chega da forma mais sutil (o que nem sempre é o caso) e não importa que eu esteja sem ninguém em uma festa. A grande verdade é que eu gosto de mulher. Pronto. Falei. Qual o grande mal nisso?

E não é de hoje... Não foi uma decisão que tomei da noite para o dia. Eu sempre gostei de mulher, desde a minha infância. E vem agora gente me repreender por expor o que penso, por falar que me sinto mal quando um homem dá em cima de mim. Ora essa... Quem paga minhas contas sou eu e (se digo apenas a verdade) não me arrependo de dizer que não gosto de homens me cantando.

Eu não tenho absolutamente nada contra quem gosta de homens, sério. Só não compartilho o mesmo gosto e não vejo nada demais em assumir isso publicamente. Como se as coisas já não fossem suficientemente complicadas para quem quer apenas arrumar uma namorada.

Já não bastam os jogos que envolvem o período preliminar ao início de uma relação (jogo da sedução já disse alguém)? As trocas furtivas de olhares, o frio na espinha antes de chegar perto da mulher que se busca, o medo da rejeição e da própria reação das pessoas em volta ao perceberem o sucesso ou fracasso da tentativa.

Com tudo isso eu ainda tenho de me preocupar em levar na esportiva qualquer xaveco de homem que, muitas vezes, não respeita o fato de eu já estar com uma garota? Ah, faça-me o favor... Eu não tolero, não aceito. Já é chato quando tenho que lidar com mulheres que não me atraem me cantando, que dirá ter que lidar com um cara chegando em mim...

O que eu realmente queria era poder chegar em um(a) bar/festa/boate e não ter que me preocupar em receber importunas cantadas de homens. Queria poder dançar de boa, beber um drink ou dois e, achando uma garota que me atraia, poder, sem jogos, sem rodeios, sem meias palavras, ir até ela e dizer: Oi, tudo bem? Te achei muito bonita e gostaria de te conhecer melhor. Qual o seu nome? O meu é Vanessa.

Opinião Pública X Opinião Publicada

Todo o dia eu acordo e leio o jornal, finjo espanto com a onda crescente de violência que assola as grandes cidades, faço algum comentário irônico sobre a subida ou descida do dólar (que na verdade não afeta minha vida cotidiana em nada), vejo os resultados dos últimos jogos na seção de esportes e me deixo informar sobre os acontecimentos nacionais e internacionais. Sigo então para o trabalho.

Chego em casa já de noite, preparo algo para comer e sento-me em frente à televisão para acompanhar o telejornal, que trata de me explicar tudo o que aconteceu no meio tempo em que eu trabalhava, preenchendo as lacunas possivelmente deixadas pelo jornal lido pela manhã.

Esse processo se repete dia após dia, tal qual na música de Chico (todo dia ele faz tudo sempre igual), e é vivido por dezenas de milhões de brasileiros que, como eu, procuram informações diárias nos jornais, telejornais, rádios e internet. Tais veículos de comunicação de massa são os responsáveis por nos manter a par do que acontece em nosso país-continente.

Justamente por estarem tão diretamente ligados à vida diária dos brasileiros, nada mais normal que esses veículos auxiliem na formação da opinião pública nacional. É até esperado o chamado “efeito bola de neve”, por meio do qual a imprensa divulga denúncia contra determinado segmento da sociedade fazendo com que os leitores e/ou telespectadores se indignem e cobrem providências, dando mais força para as críticas feitas pela imprensa, que geram novas ondas de indignação etc. É normalmente assim que a banda toca e não devemos esperar algo diferente. Ou devemos?

A última semana antes das eleições presidenciais trouxe consigo um enredo digno de uma grande novela cômica, da compra de um dossiê inexistente a um novo rompante de indignação de um presidente que se acostumou a repetir a mais de ano a mesma frase: “Eu não sabia”. De fato, os jornais e revistas tiveram farto material com o que trabalhar após a prisão, pela Polícia Federal, de dois assessores diretos de Lula, acusados de tentar comprar um dossiê contendo suposto material que comprometeria José Serra (candidato tucano ao governo de São Paulo) com a máfia dos sanguessugas.

A compra de tal dossiê, mais do que o pretenso conteúdo deste, foi alvo de duros ataques, proferidos tanto pela mídia quanto por opositores do governo petista. Em resposta, o pronto afastamento e demissão dos envolvidos e o pedido de urgência nas apurações sobre a origem do dinheiro e sobre os demais envolvidos na referida tentativa de compra.

Ora, por mais que o presidente atual, candidato à reeleição, negue qualquer participação ou sequer o conhecimento do ilícito praticado por membros do governo e de seu próprio núcleo de campanha, as denúncias publicadas poderiam ser consideradas suficientes para gerar o efeito bola de neve mencionado anteriormente, sendo esperada a queda de Lula nas pesquisas de intenção de voto (51,4% em 29 de agosto, de acordo com pesquisa feita pelo Instituto CNT/Sensus).

A última pesquisa realizada pelo instituto CNT/Sensus, contudo, mostra que nosso presidente e presidenciável manteve o mesmo percentual de intenções de voto, com uma levíssima variação negativa, caindo dos 51,4% para 51,1%.

O que pensar então? Que a pesquisa não refletiu de forma adequada as transformações ocorridas com os eleitores em menos de uma semana como pensa o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin? Que as denúncias feitas pela imprensa não estão chegando aos eleitores? Ou que o brasileiro, após tantos escândalos, e como disse o próprio presidente Lula, “quer saber se a vida dele está melhorando” e nada mais?

Mais importante do que tentar achar a resposta certa para as indagações feitas talvez seja refletir sobre elas. Afinal, a única certeza que se pode ter é que, ao contrário do que escreveu o poeta John Donne alguns séculos atrás, nosso presidente parece, sim, ser uma ilha, isolada do continente petista que trama contra sua vontade e pratica atos ilícitos sem o seu consentimento ou conhecimento.

Talvez a pesquisa feita não reflita as mudanças sofridas no panorama político atual... Talvez as denúncias da mídia não estejam atingindo o público ou talvez este simplesmente não se importe mais. Todavia, se este é o caso, é melhor que nos preparemos para, em futuro muito próximo, abrir os jornais para nos espantarmos (em matéria de primeira página) com a descoberta de um político honesto e ver na página de esportes os campeões de corrupção, dignos de índices olímpicos.